Das mulheres que não se calam (ou como converter adversidades em boas coisas)

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Minha professora de canto, a grande Lu Horta (cantora e compositora, além de integrante do Barbatuques), esses dias me contou que a foto de seu primeiro álbum foi modificada e usada, sem autorização, como imagem principal de uma campanha pela não violência contra a mulher.

A capa original (de 2003):

A imagem da campanha com o slogan "Não se cale":

Em vez de apenas pedir pela remoção dos cartazes e troca da imagem, ela resolveu aproveitar a confusão, compor uma música e gravar um clipe a tempo de participar da campanha.

Link YouTube

E ainda soltou um outro cartaz com a imagem certa, por iniciativa própria.

História que me interessa em pelo menos três sentidos:

1) Toda violência começa em algum tipo de mal entendido, cegueira, desatenção. Incrível como uma campanha pela não violência contra a mulher pode, sem querer, causar uma pequena violência contra uma mulher. É muito difícil construir a paz mesmo para quem se propõe a levantar bandeiras brancas.

2) A gente se esquece que todo dia tem mulher apanhando e se calando. Campanhas como essa, vídeo como esse são ainda muito necessários, urgentes para muitos, não algo para lembrarmos apenas no dia 25 de novembro.

3) É quase infinita, ainda que pouco usada, nossa capacidade de transformar adversidades em ações ainda mais positivas do que seriam sem tais complicações.


publicado em 09 de Janeiro de 2013, 12:15
Gustavo gitti julho 2015 200

Gustavo Gitti

Professor de TaKeTiNa, colunista da revista Vida Simples, autor do antigo Não2Não1 e coordenador do lugar. Interessado na transformação pelo ritmo e pelo silêncio. No Twitter, no Instagram e no Facebook. Seu site: www.gustavogitti.com


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