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Jogador de futebol ama. Mas não presta

Um dos maiores símbolos de fidelidade de um jogador ao clube transformou-se no arquétipo do traidor: o beijo no símbolo.

Se ele não ama, por que beija?

A resposta paira de modo hipócrita sobre esse nada romântico cotidiano masculino e futebolístico: ele beija e diz que ama para meter depois.

Afinal, quem nunca?

O melhor modo de explicar algo para quem não entende do assunto é utilizar referências mais conhecidas. Foi o que aconteceu há poucos dias. Muita gente me questionou sobre a divulgação da inscrição de Kleber, jogador do Palmeiras, na Gaviões da Fiel. Amigos não ligados ao futebol acharam isso um absurdo, defendendo que o jogador necessitava provar fidelidade ao clube de atuação.

Em parte, uma visão correta. Fidelidade é essencial. Mas nada, absolutamente nada impede que o jogador tenha uma cor, um símbolo, um hino preferido na infância. E mesmo depois de crescer, mesmo depois de firmar raízes em determinado emprego ou agremiação, é impossível não relembrar ou emocionar-se de momentos com o primeiro amor. Assim, utilizei o exemplo do relacionamento para comprovar que eu, você, até o Dr. Love já vivemos nossos dias de Kleber.

Ficha comprova que Kleber é sócio da Gaviões da Fiel. E daí?

Kleber trata o Palmeiras como uma gordinha. Uma gordinha rica. Tipo loja de conveniência. Quando ele sente fome no meio da madrugada, ela surge como opção. Lá, disposta, limpa e cheirosinha. Não é o perfeito, não é aquilo que ele sonhou no começo da carreira, mas foi o que apareceu. E entre todos os amores, é o mais seguro. É aquele que ele já firmou laços e garante a trepada sem dor de cabeça.

Em poucas palavras, Kleber diz que o ama a gordinha para ganhar sexo. Assim como diz que ama o Palmeiras para jogar e ganhar seu salário. Dizer que ele não ama o Palmeiras é um exagero. Kleber, sim, ama o Palmeiras. Mas também ama o Corinthians. Assim como você amou sua primeira namorada e hoje ama sua esposa.

O homem não tem um amor, mas vários. Com o jogador de futebol não é diferente. Os únicos atletas que conseguiram ligar sua imagem de modo totalmente apaixonada ao clube são aqueles que não vestiram mais de uma camisa em seu país. Zico, Sócrates, Pelé e Nilton Santos. Homens invejáveis que baixaram só uma calcinha.

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O futebol é negócio. O futebol, via seus derivados, tornou-se um ambiente frio, mesquinho e de interesses. Poucos têm a sorte de fazer carreira no time de coração. Raros são os casos de caráter. Culpa, especialmente, pela trágica administração executada pela CBF na década de 90 e atual formação de base do futebol brasileiro. Não ter vínculo com o time de futebol virou algo comum.

Não fazem mais jogadores como antigamente.

Jogador de futebol não presta.

Ele sempre terá outra.


publicado em 24 de Agosto de 2011, 13:24
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Fred Fagundes

Fred Fagundes é gremista, gaúcho e bagual reprodutor. Já foi office boy, operador de CPD e diagramador de jornal. Considera futebol cultura. É maragato, jornalista e dono das melhores vagas em estacionamentos. Autor do "Top10Basf". Twitter: @fagundes.


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