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"Tudo pode mudar. Menos o amor pelo futebol"

"Bambi!".

"Marias!".

"Florminense!".

O futebol é muitas coisas e uma das encarnações possíveis é ser uma válvula de escape para machismo, sexismo e demais patologias de gente mal resolvida. Replica e multiplica todo final de semana o preconceito que atinge mulheres e homossexuais, negros e pobres. É assim por aqui, de norte a sul. Richarlysson, volante-lateral-líbero-e-o-que-sobrar-no-time, passou vencedores anos sem ter seu nome gritado pela torcida organizada são-paulina. Antes, havia sido escorraçado pela diretoria palestrina.

O jornalismo esportivo, sempre que pode, se utiliza de imagens dúbias para se referir ao clube do Morumbi. Como que para reforçar um estigma. Como se ser afeminado, gay, fosse algum defeito.

Não consta que o machismo passe ao largo das canchas de nuestros hermanos. Até as referências pejorativas aos adversários são semelhantes. Há os gallinas do River Plate, time que, assim como São Paulo, Cruzeiro ou Fluminense, também tem origens mais abastadas e acabou recebendo a conotação de falta de virilidade, como se isso fosse lá uma ofensa.

Há lá também registros lamentáveis de homofobia publicadas nas capas dos jornais. Aos torcedores do River, coube o papel de aceitar a piada e transformar o Monumental de Nuñes no gallinero.

Se precisasse apostar, quantos anos você daria para o Morumbi ser chamado de La Bambinera?

Pois, imagine que o Olé, diário esportivo de maior circulação por lá, na Argentina, resolveu se sair com uma série de vídeos que em nada deve ao Almodóvar.

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Eles partem do pressuposto de que todos gostam de futebol acima de qualquer coisa, sendo transgênero ou cisgênero.

Aqui, na Argentina, na Alemanha ou na África. Todo mundo gosta, joga profissionalmente, disputa pelada e sofre na arquibancada. É por aí que caminha a série "Todo Cambia". São três vídeos até aqui.

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¡Muy lindo!


publicado em 17 de Dezembro de 2013, 08:00
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Rafael Nardini

Vive de escrever bobagem. Torcedor de arquibancada, fake de músico e curioso na cozinha.


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